Home » Dicas, Métodos » SRS – Nunca mais esqueça o que aprendeu

SRS – Nunca mais esqueça o que aprendeu

Nunca esquecer

Um dos principais fatores para avaliar a fluência de alguém em uma língua é o tamanho de seu vocabulário, quanto mais palavras você souber, mais facilmente você se expressará e mais fluente será. Segundo o super poliglota prof. Arguelles, sabendo as 2500 palavras mais usadas em um língua, é possível se expressar quase tudo que você quiser; 5000 palavras, equivalente ao vocabulário de um nativo sem ensinos superior, e 10000, com ensino superior. Eu sei que parece assustador, ou até quase impossível memorizar tudo isso sem dedicação de vários anos. Não é preciso deixar que esses números o desestimulem, pois neste artigo vou falar de um sistema que permite que nós aprendamos várias palavras por dia sem nos preocuparmos em esquecer. Com 20 minutos diários é possível memorizar 1000 palavras, ou até mais, em apenas 4 mêses. Este sistema se chama Sistema de Repetição Espaçada, do inglês Spaced Repetition System, muito conhecido pelas siglas SRS.

Se você pretende aprender um ou mais idioma de forma rápida e eficiente, o SRS é uma ferramenta que deverá ser usada obrigatoriamente. O SRS é usada por 9 de cada 10 poliglotas e, certamente, muitos não teriam se tornado poliglotas se não fosse por sua ajuda. Graças ao SRS podemos esquecer de esquecer.

 

O Esquecimento e a Memorização

Quando estamos aprendendo uma nova língua, o processo seria muito mais rápido se só precisássemos aprender cada coisa somente uma vez e nunca mais esquecer. Infelizmente, o nosso cérebro não funciona assim. Fazer o que? É este cérebro que temos e é com ele que devemos aprender a trabalhar da melhor maneira possível.

Quando aprendemos algo novo, se não praticarmos ou revisarmos o que aprendemos, é muito provável que logo será esquecido. Mas não pense que o ato de esquecer é de todo ruim, na verdade é até considerado algo saudável. O nosso cérebro é limitado e seria um grande desperdício de memória se lembrássemos quais roupas usamos em todos os dias do ano, ou o que comemos. Nossa cabeça serviria como um depósito de coisas inúteis. Imagine se lembrássemos dos mínimos detalhes de todos os momentos traumáticos e desagradáveis de nossa vida. Seria um eterno pesadelo.

O grande problema é que o cérebro não sabe diferenciar direito o que é informação útil e o que é descartável. Muitas vezes esquecemos o que gostaríamos de lembrar (como uma data importante) e lembramos de coisas inúteis (como o refrão de uma música de que você nem gosta). Cabe a nós aprendermos como informar ao nosso cérebro o que deve, ou não, ser guardado.

A nossa memória tem duas áreas: memória de curto prazo e memória de longo prazo. A memória de curto prazo, também conhecida como memória de trabalho, guarda informações temporárias apenas sobre algumas coisas em que estamos pensando no momento. A memória de longo prazo é a memória capaz de armazenar grandes quantidades de informações sobre experiências adquiridas durante a vida toda. Devemos ajudar o nosso cérebro a selecionar quais são as memórias de curto prazo que devem ser passadas para a memória de longo prazo.

Quando aprendemos uma informação nova, o nosso cérebro guarda-a através de conexões neurais. Essas conexões primeiramente costumam ser muito fracas e em pouco tempo tendem a ser desfeitas. Resultado: nós esquecemos. Como fazer para esquecermos? Essa resposta é simples e muita gente já sabe, se queremos lembrar algo por muito tempo, precisamos revisar periodicamente. Quando nós revisamos alguma coisa aprendida anteriormente, estamos sinalizando para o nosso cérebro que esta informação é importante e que há uma possibilidade que iremos precisar dela novamente no futuro. Para o cérebro, o ato de revisar é como se estivéssemos reaprendendo a informação e as conexões neurais são reforçadas. Quanto mais revisamos, mais forte serão as conexões neurais e a informação será mais facilmente lembrada.

Agora que sabemos que as revisões são muito importantes para fixar algo na nossa memória de longo-prazo, fica uma grande dúvida: Com que frequência devemos fazer essas revisões? Como vou saber se não estou fazendo revisões demais e desperdiçando o meu tempo, quando poderia estar fazendo outra coisa; ou estou fazendo revisões de menos e correndo o risco de esquecer?

Para solucionar essas questões, surgiu o Sistema de Repetições Espaçadas – SRS.

Fontes:

O Que É SRS?

Quem nunca teve problema de lembrar o nome de alguém pouco tempo após ser apresentado? Eu, por exemplo, sou alguém que tem esse sério problema muito comum. Muitas vezes fico super envergonhado de perguntar o nome da pessoa mais uma vez. Parece até que o nosso cérebro quer nos pregar uma peça. Antes de explicar o que é o SRS, eu vou tentar ilustrar uma situação onde repetições espaçadas poderiam ajudar o processo de memorização do nome de alguém.

 

Imagine que você está em um churrasco de um amigo. No meio do evento o seu amigo te apresenta o sogro dele, o senhor Joaquim Albuquerque (inventei o nome agora), e você diz:

– Muito prazer senhor Joaquim Albuquerque.

3 minutos após se apresentarem, chega algum amigo seu e você apresenta na roda:

– Oi, deixe eu te apresentar ao senhor Joaquim Albuquerque.

Após 15 minutos de conversa, esse mesmo amigo não lembrava mais o nome do sr. Albuquerque e pergunta no seu ouvido. Você responde discretamente:

– O nome dele é Joaquim Albuquerque.

Você interage com várias outras pessoas no churrasco, por uns 30 minutos. Aí o sr. Albuquerque chega perto para conversar, ele ficou sabendo que você está procurando um apartamento mais perto do trabalho para alugar. Por acaso ele é corretor e lhe passa seu cartão. Você pega o cartão e lê em voz alta:

Joaquim Albuquerque, Corretor Imobiliário.

Você agradece e volta a curtir o churrasco e conversar com outros convidados. Após 2 horas, você vai ao banheiro. Chegando lá, sai o sr. Albuquerque com uma cara não muito boa.

– Seu Joaquim? Você está passando bem?

O sr. Albuquerque bebeu muito e comeu algo que não caiu bem. Você se oferece para levá-lo para casa dele, por coincidência ele mora perto de sua casa.

No dia seguinte de manhã, quando você entra no carro para ir pro trabalho, encontra como uma óculos no banco do passageiro e fala para si mesmo:

– Com certeza é dos sr. Joaquim Albuquerque.

Como está cedo o bastante, você resolve fazer um desvio na rota para deixar os óculos na casa dele.

5 dias depois, como você está precisando procurar um novo apartamento para alugar, você lembra:

– Ah! Eu poderia ligar para o sr. Joaquim Albuquerque para saber se ele tem alguma apartamento perto do meu trabalho.

Você liga para ele, mas infelizmente ele não tem nada naquele bairro, mas promete que assim que aparecer algo ele liga.

2 semanas após isso, você está no supermercado fazendo compras. Um senhor está distraído escolhendo batatas, você logo reconhece:

– Olá sr. Joaquim Albuquerque. Tudo bom com o senhor?

Ele diz que foi bom se encontrarem, pois precisavam se falar. Apareceu um apartamento perfeito a uma quadra do seu trabalho e o aluguel é ótimo.

Um mês e meio se passa, e você já está bem instalado em seu novo apartamento. O telefone toca, você atende e reconhece de imediato a voz:

– Olá Joaquim! Como vão as coisas?

Era o sr. Albuquerque, e agora bom amigo, ligando para saber se você estava curtindo o novo apartamento.

 

Estou certo que concordaria comigo se eu dissesse que se essas coincidências acontecessem com você, provavelmente não teria problema para lembrar do nome do sr. Joaquim Albuquerque. Você deve ter reparado que, o espaçamento entre os momentos que o nome teve que ser repetido foram gradualmente aumentados. É mais ou menos assim, que o SRS faz para que possamos memorizar algo.

O SRS é um sistema de aprendizagem que nos permite memorizar uma informação (por exemplo, uma palavra estrangeira) de forma eficiente. Ele procura minimizar o número de repetições necessárias para reter uma informação. Para isso, o SRS agenda a revisão para quando estamos prestes a esquecer, pois é o momento ideal para revisar de forma otimizada, minimizando o número de repetições. Assim, não serão feitas nem revisões demais nem de menos.

Abaixo é apresentado a Curva do Esquecimento que ilustra como uma informação se perde da memória com o tempo. Nela você pode ver que quando aprendemos uma informação nova, rapidamente ela vai sumindo da memória a não ser que ela seja revisada. Quando revisamos, a informação é reforçada no cérebro e leva mais tempo para ser apagada. Consequentemente, pode-se esperar mais tempo antes de repetir a revisão. O SRS repete continuamente o processo de recordação para que a informação esteja cada vez mais fixa na memória.

 

Curvas de Esquecimento

 

Quando a informação é nova e não muito familiar ela deve ser revisada em pequenos intervalos. Na medida, que a informação fica cada vez mais fácil e familiar os intervalos de revisão pode ser gradualmente aumentados.

Levando em conta que cada vez que se encontra um fato sucessivamente, o tempo que se leva para esquecer aumenta, um desenvolvedor de jogos chamado Andrew resolveu fazer simulações para comprovar que o SRS é melhor método para fazer revisões. Para ficar mais simples o entendimento do que seria um fato, vamos supor que seja uma nova palavra estrangeira que você queira aprender. As simulações tentam ilustrar como é que as palavras aprendidas e revisadas ficam na memória. As palavras novas são aprendidas a uma taxa constante. Cada palavra é representada por uma bola, a cada revisão ela muda de cor e tem um número indicando a quantidade de revisões ocorridas. Como o passar do tempo as palavras vão escurecendo e somem se não forem revisadas a tempo. Se sumirem, as palavras foram totalmente esquecidas e têm que ser aprendidas novamente como se fossem novas e o contador de revisões da bola é reiniciado. Quanto mais alto o número do contador, mais tempo leva para desaparecer. Foram simuladas três situações apresentadas a seguir:

 

1ª Situação: Revisão Aleatória

Aqui as revisões são feitas em intervalos regulares, sem ter uma ordem em particular.

O que você pode notar é que com o passar do tempo, mais e mais palavras começavam a ser esquecidas. Quanto mais palavras, mais revisões para fazer. Quanto mais revisões, mais tempo necessário para revisar tudo. No final, o tempo de revisão era muito longo para combater o enfraquecimento natural da memória.

 

2ª Situação: Revisão de Palavras Recentes

Esta simulação retrata como a maioria dos estudantes costumam agir, dar maior foco para palavras aprendidas mais recentemente. Esses estudantes dedicam muito esforço para aprender palavras novas, mas quando avaliam que já está seguro na memória, não se preocupam em estudar palavras “já aprendidas”. Talvez eles supõem que o esforço inicial para aprender faz com que essas palavras fiquem na memória para sempre.

Você pode perceber que as palavras antigas desapareciam ao longo do tempo. Não queremos deixar que is aconteça! Né? É um desperdício do nosso tempo esquecer de palavras gastamos tanto esforço para aprender.

 

3ª Situação: Sistema de Repetições Espaçadas – SRS

Por último é simulado o estudo de palavras através de revisões espaçadas, onde são revisadas as palavras que estão prestes a serem esquecidas.

Muito melhor! Não é mesmo? Aqui vemos que o as revisões são feitas de forma eficientes, pois certamente é feita um bom trabalho para não deixar a memória cheia de buracos. Por isso, podemos concluir que o SRS é a melhor estratégia para manter todo seu vocabulário aprendido fresco na memória.

 

Se você quiser ver a apresentação original em inglês, clique aqui.

 

Evolução do SRS

Por vários anos o sistema de repetições espaçadas evoluiu e foi implementado de várias formas. Apesar de poder ser usado em vários campos de estudo, o seu principal uso é para aprendizagem de idiomas.

As primeiras noções da repetição espaçada vem do século XX, com cientista alemão chamado Hermann Ebbinghaus. Ele fez uma lista de silabas aleatórias (por exemplo: bes dek fel gup huf jeik mek meun pon daus dor gim ke4k be4p bCn hes), mediu quanto tempo levava para esquecer a lista e depois aprender tudo de novo. Ele fez esses experimentos por mais de um ano. Em 1885, ele finalmente publicou uma monografia com os resultados de sua pesquisa. Ebbinghaus mostrou que é possível aperfeiçoar o aprendizado de forma dramatica se espaçar corretamente as sessões de estudos, generalizou isso com o gráfico conhecido como a “Curva do Esquecimento” (este gráfico já foi mostrado anteriormente neste artigo) que ilustra o tempo médio que uma pessoa leva para esquecer um fato, baseado na quantidade de vezes o fato foi revisado. Após isso por quase 80 anos houveram poucos avanços nesta área. Nesse tempo, as pesquisas existentes conseguiram esclarecer um pouco mais a relação entre os espaçamentos e a capacidade de recordar uma informação. Mas faltaram avanços em formas de usar esse conhecimento de forma pratica para ajudar alguém a aprender mais rapidamente.

Nos anos 1960, o Dr. Paul Pimsleur desenvolve o Método Pimsleur, que se trata de método de ensino de idiomas totalmente por áudio. O Dr. Pimsleur pesquisou um método eficaz para aprendizagem de línguas. Suas pesquisas levaram a entender que quando recordamos uma palavra nova em intervalos gradualmente maiores, cada vez a lembraremos por mais tempo que antes. Ele chamou esse fenômeno de Graduated Interval Recall (Recordação por Intervalos Graduados) e é um dos princípios chaves de seu método. O Método Pimsleur é uma das primeiras aplicações práticas do SRS.

Nos anos 1970, o jornalista alemão Sebastian Leitner criou uma implementação simples do SRS baseado em flashcards, ficou conhecido como o “Sistema Leitner”. Flashcards nada mais são que cartões de papel usados para testar a nossa memória. Em que num lado se coloca uma pergunta, ou alguma palavra que se quer traduzir, devemos tentar responder sem olhar a resposta correta. Do outro lado se coloca a resposta ou tradução que se quer memorizar, para saber se estavamos corretos ou não. O Sistema Leitner separa os flashcards em caixas de acordo com facilidade com que conseguimos recordar a resposta. Funciona basicamente da seguinte forma, suponha que você tenha 3 caixas de flashcards chamadas de Caixa 1, Caixa 2 e Caixa 3. Na Caixa 1 se encontram os flashcards que erramos mais freqüentemente e na Caixa 3 os flashcards que temos maior domínio. Podemos optar por estudar a Caixa 1 todos os dias, a Caixa 2 a cada 3 dias e a Caixa 3 a cada 7 dias. Se acertarmos um flashcard da Caixa 1, podemos promovê-lo para a Caixa 2, assim como, se acertarmos um flashcard da Caixa 2, podemos promovê-lo para a Caixa 3. Se errarmos um flashcard da Caixa 2 ou Caixa 3, ele deve voltar para a Caixa 1, e assim, voltar a ser estudado com mais frequência. É claro que o número de caixas e a frequência de estudos de cada caixa pode variar. Apesar de ser útil e usado até hoje, é um sistema ainda muito rudimentar, pois não consegue nos dar a data exata de quando deveríamos revisar cada cartão e não lida muito bem com materiais com dificuldades variadas.

Sistema Leitner

Ainda nos anos 1970, os cientistas Laundauer e Bjork, exploraram a manipulação do momentos de repetição para melhorar a recordação em 700 de seus alunos. Eles estavam procurando o momento ótimo para recordar algo de forma que seja lembrado mais tarde. Eles chegaram na conclusão que o melhor momento para recordar algo é quando estamos prestes a esquecer. Naquele momento essa informação não era muito útil, pois era totalmente impraticável no dia-a-dia ter um controle de tudo que poderíamos estar prestes a esquecer. É óbvio que a soluções estava na computação que estava ainda só começando a ficar acessível para o público geral.

Finalmente, nos anos 80, o pesquisador Piotr Woźniak, ficou fascinado pelo potencial do SRS. Sem conhecer os trabalhos de Laudauer e Bjork, conduziu seu próprios experimentos nele mesmo e chegou em conclusões parecidas. Já sabendo que com sucessivas repetições, o conhecimento deveria ficar gradualmente mais durável e demandar menor frequência de revisões, desenvolveu um algoritmo que calcula quando algo deve ser revisado novamente. Foi então que ele criou o primeiro software prático para estudo usando o SRS, o SuperMemo. O algoritmo do SuperMemo foi usado como base para a maioria dos softwares de SRS, inclusive o atualmente popular e gratuito Anki.

Fontes:

 

Softwares de SRS

Cartão digital

Os softwares de SRS em geral funcionam de forma similar, eles são baseados no uso de flashcards digitais, então considero como uma evolução do Sistema Leitner. A vantagem dos flashcards digitais contra os flashcards de papel é que a primeira pode ser adicionada várias mídias impossíveis de serem adicionadas na segunda, como imagens (inclusive animadas), áudio e vídeo. Os detalhes de cada software variam um pouco, mas basicamente funcionam da seguinte maneira:

  1. O software deve ser usado todos os dias.
  2. Será apresentado um lado do flashcard com uma pergunta ou pedir a tradução de algo.
  3. Você deverá tentar recordar a resposta.
  4. Após a tentativa, você clica o botão para revelar a resposta correta. Após isso, você deve dar nota para a sua resposta. Alguns softwares dão várias opções de notas (por exemplo, Errado, Díficil, Fácil e Muito Fácil), alguns apenas Certo e Errado, e outros obrigam que a resposta deve ser escrita para evitar que você tente mentir para si mesmo.
  5. O software coloca o flashcard na agenda uma data no futuro para que seja revisto. O cálculo da data usando o histórico de avaliações, isto é, a nota de sua resposta atual combinada com as notas de suas respostas anteriores. O algoritmo de cálculo pode variar bastante de um software de SRS para outro.
  6. Os passos acima se repetem até todos os flashcards agendados para o dia presente tenham sido revisado ou respondidos. Ou seja, os flashcards presentes em qualquer dia particular são aqueles agendados pelas revisões em dias anteriores.
  7. Os flashcards respondidos com mais facilidade recebem notas maiores e são revisados com menos frequência, por outro lado os mais dificuldade são repetidos mais frequentemente.
  8. Novos flashcards podem ser adicionados em qualquer dia que se desejar. Pode ser feito uma fila de novos flashcards e programar quantos serão adicionados por dia.

Fonte: http://www.omniglot.com/language/srs.php

 

Como faço para colocar o SRS em prática?

Existem várias opções de softwares de SRS e cursos de idiomas que fazem uso de SRS. Vou falar um pouco das quais eu tenho usado.

 

ANKI

O Anki é de longe o software de SRS mais usado no mundo. Ele foi elaborado a partir do software SuperMemo. Ele é super flexível e pode ser usado nas mais variadas plataformas: Windows, Mac, Linux, iPhone, iPad, Android,… Você pode encontrar muitos baralhos de cartões digitais prontos, mas eu recomendo que você aproveite a grande flexibilidade do Anki para criar seus próprios baralhos. É possível acrescentar aos seus cartões imagens, áudios, vídeos(???) e textos coloridos, com muita facilidade. O problema do Anki é que leva um tempo para aprender a usar todos os seus recursos.

 

Memrise

O Memrise é uma outra plataforma de SRS muito popular. Aqui o grande foco é criar cursos/decks para serem compartilhadas em comunidades. Ele também é formatado como se fosse um jogo, podendo ganhar pontos na medida que você acerta as respostas de cada cartão. Você pode comparar a sua pontuação com a pontuação do resto dos participantes de cada curso. Existe um ranking para você saber quem são os maiores pontuadores, o que cria um certo clima de competição. Cada curso tem um fórum próprio que podem ser muito ativos dependendo do curso/deck. O que eu gosto muito do Memrise é que tem uma comunidade muito ativa e vários cursos prontos para diversos idiomas.

 

Pimsleur

O Pimsleur, não é um software de SRS, na verdade é um método de estudo de idiomas que foi criado nos anos 1960 antes de existirem computadores pessoais em todas as casas e softwares de SRS. O Pimsleur ensina um idioma em módulos quem possuem 30 áudios de aproximadamente 30 minutos cada. Deve ser estudado um áudio por dia. Mesmo não sendo um software, o Pimsleur faz uso da estratégia SRS, pois os audios foram cuidadosamente elaborados para que os elementos do idioma ensinado sejam relembrados próximo do momento que estão quase sendo esquecidos.

 

Duolingo

O Duolingo é uma plataforma de aprendizagem de línguas on-line super efetiva. Ela tem uma grande comunidade de usuários. Assim como o Memrise, ele é formatado na forma de jogo, onde se pode perder corações em cada resposta errada. Na medida, que você vai acertando e conquistando os objetivos do jogo, você ganha “lingots”, um dinheiro fictício que pode ser trocado por “coisas” na plataforma. O Duolingo procura sempre nos testar com coisas aprendidas anteriormente, ele usa a técnica SRS para saber quando estamos perto de esquecer algo.

 

Mosalingua

O Mosalingua tem vários cursos de idiomas para iPhone ou Android. O cursos vem com mais de 3.000 cartões digitais com palavras e frases cuidadosamente selecionadas, divididos em 14 grandes categorias (o essencial, compra, turismo, social, urgências, etc.). As palavras e frases são gravadas por nativos do idioma, ideal para praticar sua pronúncia. Recomendo este app, no caso de você não ter paciência de montar seus próprios cartões no Anki.

 

Vantagens

É um método super eficiente para estudar várias palavras e frases estrangeiras.

Como foi mostrado, o SRS faz um ótimo trabalho em gerenciar uma grande quantidade itens a ser revisados.

Será estudado o que mais precisa

Essa é a chave do sistema, o SRS faz você se concentrar em itens que são difíceis de lembrar e não desperdiçar tempo revisando itens que você conhece bem.

É uma forma ativa de estudar

O SRS nos pede para recordar uma informação e só mostra a resposta correta após termos tentado buscar a resposta na memória. Muito melhor do que você simplesmente ver passivamente a resposta. O estudo ativo exige concentração muito maior que o passivo, e os estudos fixam muito melhor na memória.

Evita a ilusão de competência

Muitas vezes superestimamos o nosso aprendizado de algo, achando então desnecessário fazer revisão, muitas vezes estamos errados, isso é o que é chamado de ilusão de competência. O SRS se encarrega de nos manter em constante auto-avaliação para termos certeza que não estamos cometendo este erro.

Mobilidade

Com as tecnologias da atualidade, como smartphones e tablets, é possível estudar em qualquer lugar.

 

Desvantagens

Pode se tornar cansativo

Quando se coloca muita coisa para aprender por dia, acaba tendo muita coisa para revisar. Ou seja, use com moderação.

Pode se tornar chato

As vezes alguns itens parecem se repetir demais, as queremos evitá-los. Mas não tem jeito, a prioridade tem que ser dada para os itens que estamos prestes a esquecer, mesmo se gostamos ou não. Se tratando cartões digitais, podemos deixá-los mais atraentes adicionando mais cores, imagens, áudios e videos.

Não dá para fazer uma pausa por alguns dias e não estudar sem que se acumule muitas revisões

Infelizmente não podemos culpar o método e nem querer que seja diferente, pois não é o SRS que nos faz esquecer, ele só tenta calcular o natural momento de esquecimento do cérebro.

 

Conclusão

O SRS foi um grande achado para mim, e, se não fosse por ele, não creio que eu teria tomado gosto para estudos de idiomas. Eu dou preferência em métodos de estudos que tenham ao menos de alguma forma o SRS embutido. Mesmo aqueles que não tenham eu tento criar cartões para revisões no Anki, como é o caso do Assimil que estou criando cartões para revisar os textos.

Devido à grande eficiência do sistema, podemos nos empolgar e querer acrescentar muitos palavras para aprender todos os dias. É preciso ter cautela quanto a isso, pois quanto mais aprendemos mais teremos para revisar. Por exemplo, te tivermos a meta de aprender 150 palavras por mês serão 5 palavras novas por dia e, em média, 10 palavras para revisar. Tendo um total de mais ou menos 15 palavras para serem estudadas todos os dias. Algo que eu considero facilmente executável. Mas, digamos que eu me empolgue e queira aprender 500 palavras, aí posso dizer que teria aproximadamente 50 palavras para revisar todos os dias. Corro grande risco de deixar a peteca cair e não dar conta de manter os estudos.

Para usar o SRS, exige-se uma certa disciplina. Todo santo dia é dia para fazer suas revisões, se não for assim o sistema deixará de ser eficiente. Então faça um esforça para incluir em suas rotina diária, um momento para estudar novos itens e fazer revisões.

É importante que cada informação dentro de um cartão no SRS não seja muito grande. O ideal é que seja uma palavra ou no máximo uma pequena frase. A qualidade da aprendizagem depende em grande parte da seleção do material e da maneira que ela é dividida em pequenas partes. Acrescentar imagens, áudios ou até videos podem ajudar a fixar na memória o vocabulário que queremos aprender. Então usem e abusem desses recursos.

Para finalizar, só me resta dizer: Confie neste sistema. Eu garanto que você vai longe.

10 Responses to SRS – Nunca mais esqueça o que aprendeu

  1. “Comme d’habitude” dicas que valem ouro. Obrigado. Abraço.

  2. Excelente! Muito Obrigado!

  3. Já estou introduzindo essa técnica nos meus estudos para aprender inglês, especificamente:”Inglês para viagem”!
    Excelente!Gostaria de mais sugestões sobre essa técnica!
    Obrigada.
    Atenciosamente,

    Angela

  4. Gostei muito desta matéria,voces estão de parabém.Dankon karaamiko.

  5. Excelente postagem! Parabéns! Muito bem explicado. Era o que estava procurando!
    Abraços,
    Juliana C.

  6. Obrigado amigo, achei tudo que precisava no seu artigo.
    Parabéns…

  7. Obrigado , otima explicacao, realmente sao dicas de ouro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*