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Fazer Exame Aumentou a Minha Motivação para Estudar Francês

A Lua-de-mel com o Francês (o início dos meus estudos do idioma)

No começo deste ano (2013) eu recebi uma ligação de minha mãe:

“- Oi meu filho. Tudo bom?

– Oi mãe. Tudo. Como vão as coisas por aí?

– Tudo tranquilo. Meu filho, eu estou planejando visitar uns amigos em Paris daqui a dois meses e preciso de companhia, pensei que você poderia vir comigo?

– Poxa mãe, o momento está meio complicado para mim. Estou cheio de compromissos no trabalho e sem falar…

– A sua esposa poderia vir junto. Vai ser tudo por minha conta.

– Pensando bem… Não é nada que eu não possa remarcar!!!

(…)”

Eu já estava bem fluente no em espanhol (já conseguia me comunicar com bastante desenvoltura como nativos na língua) e já fazia algum tempo que eu vinha pensando em começar a estudar francês, já tinha adquirido até o Pimsleur French. Depois de concordar em fazer esse “sacrifício” pela minha amada mamãe, eu fiquei super empolgado para começar desde já.

Comecei logo com o Pimsleur, e já notei que a versão em francês é mais difícil que em espanhol. Mas pensei:

– Não tem problema… Eu repito cada aula 3 vezes no dia se for necessário. Afinal, tenho pouco tempo para aprender o máximo possível.

E realmente foi necessário, mas eu estava adorando. Enquanto falava as frases que ia aprendendo, já me imaginava usando o meu francês nas ruas da “cidade das luzes”, tentando me comunicar com o nativos. Passava horas na Internet pesquisando sites sobre francês, baixei uma porção de materiais de estudos, escutava músicas francesas, assistia TV5MONDE na TV a cabo, e cheguei até a mudar o idioma do meu computador para francês (não demorou muito para eu mudar de volta para o português, pois já estava me atrapalhando no meu trabalho).

Lua-de-mel com o Francês

Todo santo dia, eu não via hora de estudar francês. Após um mês, eu já tinha terminado o primeiro módulo do Pimsleur, estava indo tudo tão lindo e maravilhoso… Mas, como diz a música: “Tristeza não tem fim/ felicidade sim”. Infelizmente, houve um imprevisto que nos forçou a cancelar de vez a tão esperada viagem.

 

A Desmotivação

Mesmo com essa triste notícia, não pensei em momento algum em parar de estudar essa língua tão linda e charmosa. Além do mais, um dia eu ainda irei a França com a minha esposa. Pode não ser agora, e nem ano que vem, mas um dia certamente irei. O francês é falado em muitos lugares interessantes além da França, como Canadá, Marrocos, Bélgica, Guiana Francesa (pertinho de Belém, onde vivo), entres outros. Outra razão para saber francês é a grande bagagem cultural que esta língua carrega, existindo uma rica variedade de músicas, filmes, livros, etc. Sem falar que não ficaria nada mal ter estampado no currículo “Fluência na Língua Francesa”.

Após duas semanas, quando eu já estava no meio do segundo módulo do Pimsleur, sentia que tinha perdido uma grande parte da empolgação que tive no primeiro mês. Os estudos, que antes me davam tanto prazer, aos poucos passavam a não mais ter tanto destaque na minha lista de prioridades.

Desmotivação para Estudar

Por várias vezes, cansado de tudo, parei de fazer as aulas por períodos de até uma semana (coisa que eu definitivamente não recomendo), para retomá-las até cansar de novo. E assim, aos “trancos e barrancos”, consegui terminar os 3 módulos do Pimsleur um pouco mais de 4 meses após o início dos meus estudos. Confesso que o final foi sofrido…

Para continuar o meu progresso na língua francesa eu comprei o livro Assimil – New French With Ease (literalmente, Assimil – Novo Francês com Facilidade) no Amazon. Optei pela versão inglês/francês, mesmo existindo a versão português/francês, por duas razões: (1) tava mais barato; (2) percebi que eu consigo pensar na língua estudada mais rapidamente quando uso um material em outra língua estrangeira.

O Método Assimil é um dos métodos de estudos de idiomas mais conhecidos na Europa e um dos mais usados por vários poliglotas muito conhecidos na Internet. A série “With Ease” promete nos levar até nível de fluência B2, estabelecido pela Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CECR). Este nível equivale ao nível intermediário avançado e, para muitas universidades francesas, é o nível mínimo para aceitar estudantes estrangeiros.

O livro possui 113 lições com diálogos do dia-a-dia transcritos tanto em francês quanto em inglês. A primeira parte do livro (as 49 primeiras lições) consiste na fase passiva, onde basta ler, ouvir e repetir os diálogos, deixando o idioma fluir no seu cérebro. Na segunda parte (lições 50 e diante) consiste na fase ativa, onde se deve, além de continuar fazendo as mesmas coisas que na fase passiva, no final deve voltar 50 lições e transcrever os diálogos em francês apenas olhando a versão em inglês.

Assimil - New french with Ease

Ok! Agora sim! Eu tinha esse material de primeira para turbinar o meu francês! Foi nesse momento que os meus estudos decolaram? Infelizmente não bem assim, pois me encontrei sempre enrolando para começar. Todos os dias, eu achava uma desculpa ou dificuldade para adiar a continuação dos meus estudos. Não tava com a mínima disposição de iniciar o Assimil. “Será que vai ser assim que eu vou desistir sem mais nem menos?”, pensei.

 

A Virada

Foi aí que eu me dei conta que, não tendo mais uma viagem programada para França, eu precisava de alguma motivação para estudar. Após pensar muito no assunto, eu tive a idéia de fazer o exame de certificação de língua francesa correspondente ao nível de fluência oferecido pelo livro.

Faltando um pouco mais de dois meses para a prova, eu fui para a Aliança Francesa e me inscrevi para o DELF (Diplôme d’Etudes en Langue Française – Diploma de Estudos na Língua Francesa) no nível B2. O DELF é um diploma oficial expedidos pelo Ministério Francês da Educação Nacional, para certificar as competências em francês dos candidatos estrangeiros.

Motivado para Estudar Francês

Santo remédio!!! A minha animação para estudar se revigorou e comecei a estudar o Assimil com o pique total, já que para chegar ao nível B2 do exame eu tenho que pelo menos terminar o livro a tempo. Devorei a primeira fase do Assimil em 20 dias, mas agora só faço uma lição por dia, uma vez que, na segunda fase, as lições ficam mais complexas e exigem mais tempo. Confesso que houve dois dias que eu não estudei, mas no ritmo que estou termino o livro poucos dias antes da prova.

Tenho assistido também de vez em quando episódios do “French in Action” entre vários outro sites para treinar a minha compreensão auditiva.

 

Seguem algumas razões pelos quais o exame me mantém com motivação:

  • Eu marquei um compromisso comigo mesmo

Nós devemos respeitar os compromissos que marcamos, principalmente os que temos com nós mesmos.

  • Me sinto desafiado

Montei uma missão desafiadora com um prazo curto, mas possível. Se fosse muito fácil eu acabaria não dando muita importância e aos poucos perderia a motivação. Se fosse muito difícil, ou impossível, eu não levaria a sério e logo desistiria.

  • Não quero perder dinheiro

O custo de inscrição foi R$ 280,00. Não sei para as outras pessoas, mas algo que faz falta para mim. Consigo pensar em várias outras coisas que eu poderia ter gastado esse dinheirinho. Então, eu me esforço um pouco a mais para não ter gastado dinheiro a toa.

  • Vou ser avaliado

Quando sabemos que seremos avaliados, nos preocupamos em nos esforçar mais. Todo mundo gosta de fazer bonito na frente dos outros.

  • Quanto mais perto do exame maior a motivação

Na medida que o exame se aproxima mais focado eu me sinto. Os itens anteriores também ficam cada vez mais fortes.

 

Considerações Finais

Falta menos de duas semanas para o exame. Não prometo que serei aprovado, mas estou muito confiante. Tenho percebido que o meu francês já evoluiu bastante e fico muito feliz por isso. Em breve escreverei um novo artigo dando notícias do resultado e minha experiência com o exame.

7 Responses to Fazer Exame Aumentou a Minha Motivação para Estudar Francês

  1. Boa sorte, mano!

  2. Olá Marcos,
    Adorei seus artigos sobre estudos de francês. Sua meta era bem alta! DELF não é fácil não! Assim como você, estou motivada para fazer o TCF até o final do ano. Gostei bastante da dica do livro, comprou aonde? Vou ouvir a primeira lissão do Pimsleur também.
    Obrigada,
    Bons estudos,

    • Olá Priscila,
      Que bom que você gostou do artigo! Pois é, só depois que eu fui ver onde eu estava me metendo, mas valeu muito a pena. 🙂
      Eu comprei o livro no Amazon.com na versão em inglês porque estava mais barato, mas existe versão em português de Portugal caso você não tenha muita facilidade com o inglês.
      Boa sorte no TCF, se puder volte para me falar como você foi.
      Abs,
      Marcos Garcia

  3. Oi Marcos !
    Muito legal sua iniciativa de prestar a prova do DELF B2, mesmo que não tenha conseguido, ainda, passar neste tipo de certificação.

    Estudo o Francês há muitos anos, com deslanches e paradas, e te afirmo que ele só começou a solidificar “de fato” na minha mente, depois que eu me impus algumas pequenas viagens de um mês, à França, sozinho, para estudar o Francês em alguma escola por lá. Quando você está sozinho em um outro país e tem que se virar pra conseguir as coisas, acho que a carga emocional dessa situação é tão grande que tudo o que você aprende, demora muito mais para desaparecer da sua cabeça e aumenta sua compreensão da língua de uma forma tão mais acelerada, que estudando por métodos e métodos diferentes e super “eficientes” de estudos… Enfim, vale o gasto !!
    Então, minha mensagem, é que não existe (minha opinião) motivador maior para aprender uma língua estrangeira, que fixar uma data de viagem, de preferência sozinho e sem nenhum auxílio neste novo destino que você passará algum tempo… Fora isto, quando você volta, você vem querendo “devorar” o Francês (a língua, bien entendu!), super motivado para estudar e melhorar o seu nível, já pensando numa próxima viagem para outro lugar que utilize a língua francesa…
    Bem, queria compartilhar esta opinião com você, que ajuda tanto, também com as suas opiniões, as pessoas que estudam e amam os idiomas como nós ! Obrigado pelas dicas, Marcos !!

    • Olá Zigomar,

      Obrigado pelo apoio e por compartilhar a sua opinião. Com certeza, viajar para o país que fala seu novo idioma é a maneira ideal para aprender. Infelizmente, muitas pessoas não podem fazer isso, seja por falta de dinheiro ou tempo. Porém, dá para fazer uma imersão mesmo sem sair do país. Você pode mudar todos os aparelhos eletrônicos (computador, smartphone, videogame, etc.) para o novo idioma, entrar em um grupo de conversação, participar de comunidades on-line estrangeiras, ver filmes estrangeiros sem dublagem, mudar a opção de idioma do Wikipedia e por aí vai… Enfim, todo esforço é válido para conquistarmos a fluência.

      Abraço e bons estudos!

  4. Olá, tudo bem?

    Gostei muito do seu post no seu blog.

    Abraços!

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